Trabalho de 15 artesãs brasileiras será exposto na sede da ONU, em NY

Fonte: G1

Exposição ocorrerá durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro. Objetivo é promover a imagem e inserção do trabalho brasileiro no exterior.

Wendy Barros, de 34 anos, de Alagoas, e Neulione Gomes, de 42 anos, de Mato Grosso (Foto: Jayme de Carvalho Jr/Abexa)

Trabalhos de 15 artesãs de 12 estados do país serão expostos em setembro na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, no mês em que ocorre a Assembleia Geral da organização. O objetivo da exposição é promover a imagem e inserção do artesanato brasileiro no exterior. Entre as peças estão rendas, bordados, bonecas e panelas de barro, acessórios feitos com lã de ovelha e crina de cavalo, além de peças indígenas.
Os trabalhos são feitos com materiais encontrados no meio ambiente, de acordo com a Associação Brasileira de Exposição de Artesanato (Abexa), organizadora do evento. Entre os artesanatos estão bordados, redes, peças de cerâmica, panelas de barro, itens de vestuário e decoração e peças indígenas.

Chamada “Mulher Artesã Brasileira”, a exposição acontecerá de 9 a 20 de setembro. Inclui a mostra de trabalhos das artesãs e fotografias delas, um documentário, uma conferência e a publicação de um livro.
A expectativa de público é de mais de 10 mil pessoas. A intenção é aproveitar o encontro da Assembleia Geral da ONU, quando participam chefes de estados e delegações, além de celebridades e personalidades de todo o mundo, diz a Abexa.

Segundo Tânia Machado, gerente do projeto, o objetivo é também estimular as exportações. Segundo ela, 87% da produção artesanal no Brasil sai das mãos de mulheres. No país, cerca de 8,5 milhões de pessoas trabalham atualmente com artesanato.

De acordo com a Abexa, a produção deste tipo de atividade tem um faturamento anual estimado de R$ 54 bilhões. Não há, porém, estimativas sobre esportação. Segundo a associação, não é possível computar dados de venda de artesanato para o exterior, pois o código de exportação dos produtos não leva em conta a forma como foi feito (se artesanalmente ou industrialmente).
“O artesanato é uma das maiores expressões culturais do povo brasileiro. Possui grande importância para o desenvolvimento econômico e ainda possibilita a inclusão social pela geração de trabalho e renda do Brasil. As micro e pequenas empresas e os microempreendedores individuais são praticamente os responsáveis pela totalidade do mercado artesanal brasileiro, tanto da parte de quem produz, quanto da parte de quem vende”, afirma o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Luiz Barretto, em nota.

Exposição

Foram selecionados trabalhos de artesãs do Acre, Amazonas, Alagoas, Piauí, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Raimunda Kaxinawa, do AC, fundou associação de artesanato de mulheres indígenas (Foto: Jayme de Carvalho Jr/Abexa)

O projeto mostra mulheres que, além de fazerem os trabalhos artesanais, também motivam a transformação da realidade social das regiões onde vivem, como em associações ou cooperativas.

“São pessoas que têm dignidade (…). No Brasil, o artesão tem dignidade. Essas mulheres são humildes, mas mudaram a comunidade com o seu artesanato, essas pessoas se preocuparam não só a sua família, mas com o entorno”, diz Tânia.

A seleção das artesãs começou no final do ano passado e terminou em fevereiro deste ano. Os critérios foram inovação (que tenha potencial para mudar paradigmas de uma região, impactando outras pessoas), perfil empreendedor (com ideias visionárias e inovadoras), impacto social (que trouxeram mudanças significativas para a área e para a artesã), criatividade (por meio da trajetória de vida) e fibra ética (que emitam confiabilidade).

Artesãs
As artesãs escolhidas são Raimunda Nonata Silva Pinheiro Kaxinawa, de 32 anos, do Acre; Wendy Sherry Oliveira Barros, de 34 anos, de Alagoas; Maria Marli das Chagas Oliveira, de 50 anos, do Amazonas; Maria Miguel de Oliveira, de 54 anos, do Ceará; Berenicia Correa Nascimento, de 55 anos, do Espírito Santo; Maria José Gomes da Silva, de 45 anos, Juracy Borges da Silva, de 50, e Gercina Maria de Oliveira, de 67, as três de Minas Gerais; Neulione Alves Gomes, de 42, e Lucileicka da Silva David, de 63, do Mato Grosso; Maria das Dores Ramos Silva, de 55, da Paraíba; Ivonete de Moura Santana, de 56 anos, de Pernambuco; Raimunda Teixeira da Silva, de 50 anos, do Piauí; Monica Carvalho, de 55, do Rio de Janeiro; e Elsa Pozzobon Noal, de 70 anos, do Rio Grande do Sul.
O projeto tem patrocínio do Sebrae e apoio do Instituto Centro Cape, da Apex e da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência.

Maria Miguel de Oliveira, a Rosinha, do CE, e Juracy Borges da Silva, de MG. (Foto: Jayme de Carvalho Jr/Abexa)

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